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Citação bibliográfica
Argel-de-Oliveira, M. M., 1996. Subsídios para a atuação de biólogos em Educação Ambiental. O uso de aves urbanas em educação ambiental. Mundo da Saúde, 20(8): 263-270.
Atenção: foram suprimidas as ilustrações.
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Subsídios para a atuação de biólogos em Educação Ambiental: 1. O uso das aves urbanas em educação ambiental Maria Martha Argel-de-Oliveira Bióloga,
Doutoranda em Ecologia, UNICAMP. Docente das Faculdades Integradas São
Camilo. RESUMO: As
aves urbanas representam um tema muito adequado para o trabalho em Educação
Ambiental, principalmente por estarem presentes no próprio ambiente em
que os alunos vivem. Além de despertarem um interesse e uma empatia que
outros grupos de animais urbanos não despertam, podem ser trabalhadas em
atividades práticas, de diversas formas e sem exigir equipamentos caros.
Outro aspecto positivo é a existência de farto material de apoio, como
livros, coleções zoológicas e organizações de observadores de aves. PALAVRAS-CHAVE:
Aves urbanas, Educação Ambiental, Observação de aves ABSTRACT:
Urban birds are excelent subjects for use in Environmental Education,
chiefly because they live, and are common, in the same habitat in which
the students live. Birds elicit an interest and an empathy not elicited by
other urban animals and can be studied in field activities, in many ways
and prescinding expensive equipment. Another positive point in their study
is the abundance of support information, as books, scientific museums,
zoos and birdwatching clubs. KEYWORDS:
Birdwatching, Environmental Education, Urban birds
Atualmente, nos cursos de Ciências e de Biologia, pouca atenção
é dispensada ao estudo dos vertebrados vivos, a seu comportamento e ao
reconhecimento mesmo que das espécies mais comuns. O estudo dos
vertebrados normalmente restringe-se a aspectos anatômicos e, quando
muito, fisiológicos. Os vertebrados, inclusive as aves, são apresentados
a crianças e jovens como corpos abertos ou como coleções de órgãos,
aparelhos e sistemas cujas funções devem ser decoradas para a prova. Se,
por um lado, alguns livros ao menos apresentam experimentos com
invertebrados vivos (insetos, crustáceos, estrelas-do-mar), por outro
percebe-se a ausência praticamente total de referências à biologia e ao
estudo de aves, mamíferos, répteis, anfíbios e peixes da fauna
brasileira.
Os exemplos citados são quase sempre de animais exóticos e
característicos de outros continentes. Via de regra é chamada a atenção
para o que eles têm de bizarro e não para o que compartilham com outros
vertebrados: o pescoço da girafa, o tamanho descomunal do elefante e do
avestruz, a imaculada coloração branca do urso-polar, a resistência do
pingüim ao rigor climático do "Pólo Sul". Com tudo isso, cria-se na
criança e no adolescente a impressão de que os vertebrados são quase
"entidades mitológicas", já que estão virtualmente ausentes do
dia-a-dia das pessoas.
Poucas são as pessoas que percebem a existência de um grande número
de espécies de vertebrados silvestres na área urbana. Mesmo na cidade de
São Paulo, com seus onze milhões de habitantes, as áreas verdes e
bairros mais arborizados abrigam dezenas de espécies de aves; mamíferos
como gambás, macacos, sagüis, serelepes e cuícas; inúmeras espécies
de pererecas, sapos, rãs, lagartos e mesmo serpentes e jacarés.
Durante um ano de observação, 122 espécies de aves foram
registradas na região metropolitana por 16 observadores de aves1,
e o número total de espécies deve atingir por volta do dobro disso. Um
levantamento feito pelo Instituto Butantã revelou a presença de 26 espécies
de serpentes na cidade2.
De todos os vertebrados nativos urbanos, as aves constituem o
melhor grupo para ser trabalhado em Educação Ambiental com crianças,
adolescentes e com o público em geral, principalmente por serem de
avistamento muito mais fácil que os outros grupos, mas também por sua
beleza, variedade de espécies, abundância de indivíduos e pelo
interesse que já despertam naturalmente nas pessoas.
Além disso, não causam às pessoas a aversão em geral causada
por outros vertebrados urbanos como morcegos, anfíbios ou lagartixas.
Através dos tempos, as aves têm sido utilizadas para representar o que o
ser humano considera como suas virtudes mais elevadas e o que considera
mais sublime3. A atração que exercem sobre o ser humano
deriva da capacidade que têm de voar e que lhes valeu, entre vários
povos antigos e contemporâneos, a posição de símbolos da liberdade, do
pensamento, da imaginação e da espiritualização. A associação com
essas idéias, tão prezadas pelo ser humano, e a ubiqüidade das aves são
dois elementos que conferem a esse grupo animal um grande potencial em
termos de Educação Ambiental.
O uso de atividades com aves em Educação Ambiental tem como um de
seus mais importantes objetivos justamente desenvolver nas crianças e nos
adolescentes a percepção quanto à existência de animais, especialmente
vertebrados, no entorno do ser humano, mesmo daquele mais urbano.
Utilizando as aves no papel de desencadeadores desse processo, consegue-se
reduzir ou mesmo eliminar o risco de que o desenvolvimento da percepção
gere também repulsa ou a noção de que a presença dos animais
silvestres nas cidades é "perigosa", "prejudicial",
"nojenta", "indesejável". A partir do momento em que crianças e
adolescentes passam a considerar "normal", ou mesmo desejável, a
convivência entre humanos e aves nativas, abre-se caminho para combater a
intolerância e a aversão a outros grupos animais injustamente
mal-afamados, como morcegos e vários grupos de insetos não-sinantrópicos
(borboletas, abelhas, besouros, mosquitos não-hematófagos, etc.)
O que precisa um educador para trabalhar com aves urbanas?
Será que para usar as aves urbanas em seu trabalho com alunos um
educador deve ser um especialista em aves, um ornitólogo?
Na verdade, isso não é imprescindível, embora um especialista
tenha condições de explorar muito melhor o assunto. São muito poucos os
especialistas em aves em nosso país, inclusive no Estado de São Paulo.
Restringir a eles a Educação Ambiental com aves seria sobrecarregá-los
com atividades que se somariam a outras como pesquisa, ensino
universitários e formação de novos pesquisadores; sendo poucos, seria
pequeno o número de pesoas que poderiam atingir. Além disso, em geral
esses especialistas não têm o conhecimento e a prática que tornam
eficiente o processo de educar e formas crianças e adolescentes.
Um educador, mesmo sem muita prática com aves, pode (e deve)
trabalhar com as aves urbanas. O tema pode ser explorado com os alunos em
diversos níveis. A simples observação da presença
e da atividade das aves, por exemplo no pátio ou nos jardins da escola,
em um comedouro, em uma área verde, não requer mais do que ver o animal
e acompanhar suas ações durante alguns minutos. O que faz ele? Ele corre
pelo solo? Ele anda? Onde pousa depois que voa? Está sozinho? São
muitos? São todos iguais? Eles brigam? Comem juntos? Mais do que o
conhecimento ornitológico, o educador deve perceber o
quê há de interessante na
situação, como utilizá-la
para despertar o interesse do aluno e sua capacidade de observação.
Obviamente a atividade fica muito enriquecida caso o professor
tenha conhecimentos práticos sobre a prática da observação de aves,
sobre identificação e comportamento, os quais lhe permitirão explorar
mais eficientemente o assunto. Tais conhecimentos provavelmente serão
indispensáveis para o trabalho com crianças mais velhas e adolescentes.
Um educador que não tenha tido nenhuma formação específica
sobre aves, mas que tem interesse em utilizá-las para Educação
Ambiental, pode municiar-se de informação, tanta quanto ache necessária,
para seu trabalho, através de várias fontes.
A mais imediata e a de acesso mais fácil (embora talvez não a
mais eficiente ou a mais divertida!) é a consulta à bibliografia. No Apêndice
1 são listados os livros e artigos mais úteis. O Apêndice 2 inclui várias
instituições que têm bibliotecas onde essas obras podem ser
consultadas.
Um conhecimento maior quanto à aparência das aves, "de
verdade", pode ser obtido através da visita, para estudo e análise de
características, de instituições como zoológicos e museus, que mantêm
animais em cativeiro ou taxidermizados (isto é, "empalhados").
A forma mais eficiente de conseguir um bom entendimento sobre as
aves é, porém, a mais difícil de ocorrer: o contato direto com
pesquisadores e com observadores de aves. A principal dificuldade consiste
em serem poucas as oportunidades de participar de tais eventos, que
acontecem apenas raramente. No Apêndice 2 figuram duas associações que
congregam interessados por aves e que promovem eventos relacionados a seu
estudo.
Formas de trabalho
Existem formas baratas e não impactantes de utilizar as aves em
educação ambiental. Entre elas, serão aqui destacadas a simples observação
e a atração com alimentos.
A observação de aves é uma atividade cultural e lúdica que, apesar de não
ser, em nosso país, tão tradicional como é, por exemplo, no Reino Unido
ou na Alemanha, já tem aqui um histórico de atividades e está bem
organizada, existindo o intercâmbio de informações e experiências
entre muitos praticantes.
Para muitas pessoas, a atividade de observar aves é intuitiva, e
resulta da curiosidade e de interesses inatos, nada tendo a ver com formação
científica; isto é, para muitas pessoas, a contemplação das aves é
uma atividade prazerosa. Essa observação sem compromisso, cuja única
finalidade é satisfazer uma vontade pessoal, pode ser transformada pelo
professor, com pouco esforço, em uma atividade instrutiva e sem perder
seu aspecto de passatempo.
A observação de aves não requer necessariamente viagens a
unidades de conservação ou ao meio rural. Ela pode ser praticada na própria
cidade, em qualquer lugar, na escola, em casa, pelas ruas do bairro, em
parques ou praças, pois justamente um dos aspectos que tornam as aves
interessantes para a educação é o fato de elas estarem por todos os
lugares. Algumas aparecem até mesmo nas varandas de edifícios altos,
visitando flores e folhagens dos vasos. Um aspecto muito importante da
observação das aves na cidade é que o número de espécies presentes é
pequeno, o que facilita o reconhecimento das espécies e a familiarização
dos alunos (e do professor!) com cada uma delas. É muito estimulante,
para um iniciante nessa atividade, ser capaz de reconhecer prontamente
cada nova ave que vê – isso é conseguido em muito pouco tempo no
ambiente urbano, mas pode levar anos em um sítio bem arborizado ou em uma
área de Mata Atlântica. Assim, é aconselhável que atividade com alunos
que nunca tiveram contato com o estudo das aves seja conduzida fora de áreas
verdes, ao menos durante as primeiras aulas.
Algumas abordagens que o educador pode adotar com seus alunos:
- quais as aves que ocorrem na escola ou no local onde o educador
atua?
-
como as aves utilizam o terreno desse local? As espécies que
aparecem nos jardins são as mesmas que aparecem nos pátios ou nas
quadras esportivas? Áreas arborizadas e gramadas têm as mesmas espécies?
-
quais espécies ocorrem tanto no local de atuação do educador
quanto na casa (ou no quarteirão, na rua, nas proximidades) de cada
aluno?
-
como se comportam as espécies mais comuns: onde se alimentam
(no solo, em arbustos, em árvores, voando), o que comem, se estão
geralmente sozinhas, em casais, em bandinhos ou em grupos grandes, etc.
-
as espécies que aparecem na escola são sempre as mesmas ao
longo do ano?
É recomendável que, antes de colocar em prática atividades como
essas, o educador se familiarize com as espécies que com maior
probabilidade irá encontrar. Aconselha-se a consulta de alguns livros4,5
com ilustrações coloridas e fotos, e que fornecem, também,
informações sobre o comportamento e a biologia de cada espécie.
É muito
interessante, também, que o educador interessado entre em contato com um
clube de observadores de aves, como o CEO (ver Apêndice 2), para a
organização de um curso de iniciação à observação de aves. Um curso
com quatro dias de duração (32 horas), como o que é descrito por
Figueiredo (1987)6, é
suficiente para abordar o que é a observação de aves, os equipamentos
utilizados, as técnicas de observação e de registro dos dados, a
identificação das espécies, quais as espécies mais comuns e as técnicas
de atração de aves, além de permitir algumas aulas práticas. Cursos
mais curtos, com um ou dois dias de duração, também podem ser
eficientes. São necessários para o curso: uma sala ou auditório, com
quadro-negro para as aulas; projetor de slides
ou retroprojetor; binóculos, pelo menos um para cada quatro ou cinco
alunos (em geral o palestrista dispõe de um ou dois, e normalmente alguns
dos alunos também possuem esse equipamento); caderno ou caderneta de
anotações para cada um dos alunos; um ou mais guias para a identificação
de aves (normalmente o palestrista leva vários livros, mas o ideal é que
o educador ou a escola disponham de exemplares que possam ser consultados
posteriormente pelos alunos cujo interesse pelo assunto tenha sido
despertado); um local para as aulas práticas (um parque ou praça, ou a
própria escola, caso seja bem arborizada). É ideal que a turma tenha
entre 10 e 25 alunos.
Diversas atividades podem ser realizadas tendo como tema a alimentação
das aves. Diferentes espécies de aves alimentam-se em diferentes locais,
por exemplo em gramados, em plantas com frutos ou com flores, e até mesmo
em calçadas e em pátios das escolas. Fazendo observação em cada um
desses locais pode-se, por comparação, descobrir quais são mais
procurados por maior número de espécies ou por mais aves; se uma mesma
ave se alimenta em vários tipos de local, se cada ave tem preferências
bem definidas, etc.
Mas provavelmente o que mais atrai a atenção dos alunos é a
observação das aves atraídas por alimentos que eles próprios colocaram
para elas. Há várias maneiras de atrair aves com comida.
Comedouros: o
oferecimento de alimentos em comedouros tem como principal vantagem tornar
previsível a presença de aves; um vez habituadas, as aves tornam-se
visitantes regulares dos comedouros, desde que haja um fornecimento
constante de comida, em horários constantes. Com algum planejamento, os
comedouros podem ser instalados em locais onde propiciem a observação
bem de perto e a partir de locais cômodos para as pessoas.
O modelo mais simples de comedouro consiste em uma plataforma de
madeira, colocada sobre um suporte de aproximadamente 1,5 m de altura.
Devem ser feitas bordas com ripinhas estreitas, para evitar desperdícios
com a comida que eventualmente caia (não esquecer de deixar espaços
livres entre as ripas nos cantos, para que a água da chuva não se
acumule). Uma "saia" de metal (lata) colocada ao redor do suporte
serve para impedir que gatos tentem escalá-lo para capturar as aves
visitantes. O comedouro deve ser colocado de preferência em um jardim com
pouca movimentação de pessoas, mas inclusive esse fator pode ser
utilizado como objeto de experimento: será que as aves visitam com igual
intensidade um comedouros situado em local tranqüilo e um outro colocado
onde sempre há gente por perto? O ideal é que o comedouro seja instalado
perto de uma janela, de onde pode ser observado sem que as aves sejam
perturbadas.
A visitação de aves não se inicia de imediato após a instalação
do comedouro. É normal que vários dias se passem antes que elas aprendam
a considerá-lo como uma fonte confiável e regular de comida. Alguns
cuidados devem ser tomados:
-
o comedouro deve sempre estar limpo; fezes das aves e restos de
alimento devem ser removidos pelo menos duas vezes por semana;
-
a partir de quando começar a visitação pelas aves, não deve
faltar comida. Também não é bom substituir um tipo de alimento por
outro de repente (por exemplo, colocar laranjas e outras frutas num dia, e
no dia seguinte, tirar tudo e colocar apenas sementes como alpiste e painço).
Se o uso do comedouro vai ser abandonado, recomenda-se que, vários dias
antes, se comece a reduzir gradualmente a quantidade de alimento
oferecido. Assim as aves que já contavam com aquele alimento têm que,
aos poucos, ir procurando outras fontes de comida. Quando o fornecimento
de alimento é interrompido de repente, as aves acostumadas a visitá-lo
podem passar fome e vir até a morrer.
Alguns aspectos que podem ser abordados em um comedouro:
-
quais as aves que o visitam? Com a ajuda de guias de campo,
mesmo os mais simples, é possível identificar as espécies que vão se
alimentar, em geral poucas e comuns; mesmo sem identificar as espécies,
as crianças podem descrever e comparar os desenhos dos diferentes "tipos" de aves que aparecem para se alimentar.
-
será que diferentes tipos de alimentos (laranja, mamão,
banana, alpiste, arroz, quirera de milho, pão, bolachas, ração, etc.)
atraem diferentes tipos de aves?
-
será que alguns alimentos atraem mais aves que outros?
-
há algum horário preferido para a alimentação no comedouro?
-
como se comportam aves de espécies diferentes quando estão ao
mesmo tempo no comedouro?
Bebedouros para beija-flores:
o uso de garrafinhas com água açucarada proporciona a oportunidade de
atrair beija-flores e outras aves e de observar seus comportamentos de
alimentação e de defesa de áreas de alimentação.
O bebedouro deve ser colocado à sombra, e tal como o comedouro, em
local pouco movimentado, perto de janelas por onde possa ser observado. Em
geral o bebedouro é abastecido com água açucarada (na proporção de
uma parte de açúcar para quatro de água previamente fervida) que deve
ser trocada pelo menos a cada dois dias, principalmente durante o verão.
Quando a água for trocada, deve-se lavar muito bem o bebedouro com água
e sabão, esfregando com uma escovinha os pontos mais "encardidos";
isso evitará o desenvolvimento de fungos, que podem causar doenças nos
beija-flores. Não se recomenda adoçar a água com groselha, mel ou açúcar-mascavo,
que facilitam o cresimento de fungos.
Como no caso do comedouro, o bededouro deve estar sempre abastecido
e não deve ser trocado de lugar com freqüência. Também neste caso
alguns dias se passam antes que as aves comecem a visitá-lo. Para que as
aves se acostumem mais rapidamente a visitar o bebedouro, é uma boa idéia
colocá-lo em um lugar onde já existam flores sendo visitadas por
beija-flores e outras aves, que assim encontrarão com mais facilidade a
nova fonte de alimento.
Algumas questões que podem ser exploradas quanto aos bebedouros:
-
outras aves, além dos beija-flores, visitam os bebedouros?
Elas tomam água da mesma forma que os beija-flores?
-
o que acontece quando há mais de um beija-flor tentando se
alimentar ao mesmo tempo?
-
o horário de chegada das aves varia de um dia para outro?
As sugestões apresentadas acima obviamente não esgotam as
possibilidades de exploração do tema Aves Urbanas.
Por exemplo, a observação de aves pode fornecer exemplos vivos de
assuntos tratados nas disciplinas de Ciências e de Biologia, como:
-
diversidade entre os seres vivos, exemplificando o que são espécies
diferentes;
-
relações ecológicas - predação (por exemplo, quando um
sabiá-laranjeira come uma minhoca), competição (quando uma aves espanta
outra em um comedouro), mutualismo (quando um beija-flor, ao visitar uma
flor, pode estar agindo como agente polinizador);
-
cadeias e teias alimentares e fluxo de energia;
-
adaptações morfológicas ao hábitat, por exemplo em bicos (o
bico grosso e forte do periquito é uma adaptação para fragmentar
alimentos duros, como sementes) e patas (as longas pernas das garças
permitem-lhe manter a plumagem seca enquanto ela procura alimento na água).
Com criatividade, à medida que for desenvolvendo as atividades, o
educador perceberá, pelas reações dos alunos, por suas questões e por
suas sugestões outras abordagens tão interessantes e eficientes quanto
as aqui citadas.
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Apêndice 2: Instituições e organizações ligadas ao estudo de aves em São
Paulo
-
Clube de Observadores de Aves (COA). Outra organização
amadora, tem representantes em vários estados brasileiros. Informações
podem ser solicitadas ao coordenador nacional David Hassett (r. Açu, 495,
CEP 59020-110, Natal, RN) ou ao COA - Núcleo Sorocaba, sediado no zoológico
“Quinzinho de Barros”, em Sorocaba (ver endereço abaixo).
-
Fundação Parque Zoológico de São Paulo. Av. Miguel Stefano,
4241. São Paulo, SP. Mantém uma grande quantidade de mamíferos, aves e
répteis, incluindo muitas espécies brasileiras. Sua biblioteca tem um
acervo muito bom de livros sobre aves
-
Instituto de Biologia da UNICAMP. Cidade Universitária
Zeferino Vaz, Barão Geraldo, Campinas, São Paulo, SP, CEP 13083-970. Tem
uma biblioteca especializada em aves, talvez a mais completa do Estado
quanto a livros. O Departamento de Zoologia abriga o Arquivo Sonoro
Neotropical, a mais importante coleção brasileira de gravações de
aves.
-
Instituto de Biociências da USP. Cidade Universitária Armando
de Salles Oliveira, São Paulo, SP. Tem uma biblioteca muito boa, com
livros e periódicos em ornitologia.
-
Museu de Zoologia da USP. Av. Nazaré, 481, Caixa Postal 7172,
São Paulo, SP, CEP 01051. Tem aves taxidermizadas em exposição e conta
com a melhor biblioteca de Zoologia do Brasil, com um ótimo acervo de
livros e revistas científicas sobre aves.
-
Paraíso das Aves. Rodovia D. Pedro I, km 95, sentido
Campinas-Dutra, Itatiba, SP. É um zoológico especializado em aves. Além
de ser um lugar agradável para passeios, constitui um lugar muito
adequado para aprender sobre aves brasileiras e de outros países. Aí é
possível ver várias espécies raras e ameaçadas de extinção como a
harpia (Harpia harpyja), o maior
gavião brasileiro, e a ararajuba (Aratinga
guarouba), a ave-símbolo do Brasil.
-
Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros. R.
Teodoro Kaizel, 883, Sorocaba, SP, CEP 18021-020. Mantém um amplo acervo
de espécies brasileiras, além de contar com uma intensa programação de
atividades de Educação Ambiental e de dispor de material para empréstimo
a professores e de videoteca sobre meio ambiente. Constituiu uma rica
fonte de informações sobre aves e sobre as formas de utilizá-las em
Educação Ambiental.
Aves urbanas Publicações Ciência para todos
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